Um estudo construído a partir da mensagem pregada no culto de domingo, 21 de dezembro de 2025. O Natal não é apenas a lembrança de um nascimento: é a celebração da oportunidade de uma vida nova, religada com Deus. Partindo de Efésios 2, o pregador mostra de que estávamos mortos, o que a graça fez por nós, e como o próprio nome do Menino — segundo Isaías 9.6 — se torna a “receita” de como viver.
Capítulo 1Estávamos mortos
“E vos vivificou, estando vós mortos em vossos delitos e pecados, nos quais noutro tempo andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.” Efésios 2.1-2
Ouvimos que “um Menino nos nasceu” e muitas vezes a palavra não tem vida para nós, porque não reconhecemos que estávamos separados de Deus. É comum pensar: “ando com Deus desde pequeno, nunca estive separado dele.” É um bom pensamento, mas não é bíblico.
O homem foi feito sem pecado. Deus disse: de todas as árvores do jardim podeis comer, menos daquela — e a pôs no meio do jardim justamente para que o homem pudesse exercer a obediência. O casal transgrediu, e assim a desobediência entrou na humanidade; a partir desse pecado, vieram todos os outros. A raça humana se separou de Deus.
E “o salário do pecado é a morte”. Qual morte? Não a física naquele dia — eles tiveram filhos e se espalharam pela terra até chegar a nós. A morte era espiritual. O que nos mantinha nesse estado de morte eram os pecados.
Capítulo 2Salvos pela graça
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2.8-9
A salvação não vem do nosso mérito, mas do mérito de Jesus Cristo. Por mais que alguém quisesse fazer o seu melhor, ser a melhor pessoa, fazer tudo certo, não poderia se encontrar na eternidade ao lado do Senhor — porque só há um caminho, e o caminho se chama Jesus Cristo. Nesse caminho ele arranca os nossos pecados e nos dá vida eterna.
Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, “estando nós mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo”. O povo que andava em trevas viu uma grande luz; sobre os que habitavam na região da sombra da morte, a luz resplandeceu. Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar a oportunidade de uma vida nova, religada com Deus.
Capítulo 3Vida — e vida com abundância
“O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” João 10.10
Esse “ladrão” não é apenas o diabo: são também os falsos profetas, mestres e doutrinadores, que lançam uma verdade que mais aprisiona do que liberta — um evangelho que não é o evangelho de Cristo. Há quem glorifique as obras das missões, e não o Cristo das missões, o Rei da glória que reconciliou o homem com Deus.
Fica a pergunta: a nossa devoção a Cristo é por algo que ele vai fazer para nos satisfazer, ou por aquilo que ele já fez para satisfazer ao Pai — nos reconciliar com ele? Nada nas coisas temporais se compara com a obra eterna de Jesus, de morrer na cruz para que tivéssemos vida eterna.
E a abundância dessa vida não é ter bastante recurso, viver sempre alegre, estar sempre com tudo bem. A abundância que Jesus veio trazer é a certeza.
Capítulo 4Ainda que a figueira não floresça
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.” Habacuque 3.17-18
A pior necessidade do homem é a de subsistência — quando acaba a comida. Pode-se perder casa, carro, recursos; mas quem deixa de se alimentar, morre. E o profeta diz: ainda que não tenha o que comer, continuo me alegrando no Deus da minha salvação. Isso é vida com abundância — andar alegre o tempo todo.
“Mas como ficar alegre o tempo todo?” Primeiro, entendendo que você é eterno. A morte não é o fim; é uma mudança de plano. E para qual plano você vai depende das escolhas que faz agora: ou escolhe Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida, e vai ao Pai — porque ele é a ponte, ele que nos lava com o seu sangue —, ou passa a eternidade longe do Pai.
Capítulo 5Os quatro nomes do Menino
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Isaías 9.6
“O governo está sobre os seus ombros.” A igreja é o corpo; Jesus é a cabeça; os ombros ligam a cabeça ao corpo — é ali que está o governo. Ele deu à igreja o governo da terra, para governar enquanto está aqui. Mas como governar quando somos guiados pelas emoções, pelo que achamos, sentimos, pensamos e queremos? Uma igreja em que cada um governa segundo a própria cabeça vira bagunça. Por isso Jesus orou para que fôssemos um. E o próprio nome do Menino nos ensina como viver:
Maravilhoso Conselheiro
Quem está perdido precisa de conselho. E há um Conselheiro que sabe como você era no ventre da sua mãe, como é hoje e como será adiante; sabe a palavra antes de ela chegar à sua língua. Qual a melhor pessoa para se pedir conselho? Para definir os passos que vamos dar, não devemos seguir uma circunstância nem uma tendência, mas Jesus Cristo. Cuidado com os conselhos que você busca.
Deus Forte
E se o conselho for difícil de seguir? Talvez você até não consiga — ou talvez a sua mente esteja te enganando, dizendo que não consegue quando, na verdade, consegue. Um bom pai dá ao filho um conselho que ele possa cumprir, e o ajuda quando ele não consegue. Esse Conselheiro é Deus Forte: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram lançados na fornalha, mas dentro dela havia um quarto, com a aparência de um filho dos deuses. Gideão, com medo no lagar, ouviu: “o Senhor é contigo, homem valente.” Deus não abandona quem ele orienta.
“Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”João 8.36
Há ainda o cativeiro de quem “deu tudo certo”. Na terra você pode ser vencedor — isso é prática. Mas no céu, sem Cristo, não se é vencedor. A coroa da vida não se alcança por ter dado certo na terra, e sim deixando Jesus viver a vida dele em você. Não se é, na própria força, o melhor crente; só se vive a vida de Cristo em Cristo.
Pai da Eternidade
Quem nasceu? A eternidade nasceu. Ele não te fez para ser temporal, mas eterno. Deus pôs a eternidade no coração do homem, e esse vazio só o Eterno preenche. Você pode tentar enchê-lo com muitas coisas — e por um momento parece dar certo, mas o vazio volta, e você tenta outra, fazendo idolatria. Até entender, como Salomão, que tudo é vaidade. Se você está em Cristo, o resultado já está pronto: o seu nome no livro da vida, o seu lugar à mesa celestial.
Príncipe da Paz
Há um ladrão que rouba a paz para te afastar do Príncipe da paz. Quando se perde a paz com facilidade, fica claro que a relação com o Príncipe é superficial. Quem tem “pavio curto” precisa alongar o pavio. E quando se perde a paz, começa-se de novo:
“Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.”Apocalipse 2.5
Capítulo 6A renovação da mente
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12.2
Quantas vezes somos nós mesmos que nos jogamos para trás — e não o diabo. Fala-se hoje da neuroplasticidade: a capacidade do cérebro de gerar novas ligações neurais. Quando se repete algo como verdade, o cérebro, pela quantidade de repetições, acredita e forma novas ligações. Gideão trilhava na mente o caminho antigo — “sou fraco, medroso, o menor da casa do meu pai” — até Deus reprogramar: “você é valente.” De tanto receber a influência do céu, ele se transformou de Gideão em Jerubaal, o que derrubou o altar de Baal.
Há dois caminhos que se pode fazer o cérebro seguir: o que joga para cima e o que joga para baixo. Se você para de trilhar o caminho neural antigo, a trilha se fecha, o mato cresce, o rastro some — e você abre uma nova picada, em que sempre se lembra de que é filho de Deus e, em Cristo, mais que vencedor.
“O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.”1 Samuel 16.7
“Mas meu coração é ruim.” Que bom: há transplante. “Dá-me, filho meu, o teu coração.” Se dou o meu, ele me dá o dele: “tirarei o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ezequiel 36.26). E então passo a amar os outros, porque já me amo — “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
Capítulo 7A madeira transformada
Uma peça de madeira de demolição — torta, cheia de pregos, ralada — parece não valer nada. Mas há uma máquina, uma plaina, que o pregador chama de “Jesus”: a peça entra torta e, ao sair do outro lado, a máquina arranca toda a casca que o tempo deixou, e ela sai nova. Daquela madeira que não valia nada se fez um cabideiro bonito, com verniz e tudo. Só porque houve a escolha de mudar o estado em que ela estava.
“Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.”2 Coríntios 4.16
Muitas vezes estamos como aquele pedaço de pau largado, acostumado com as intempéries, sem querer mudar. Mas Isaías já anunciava a vocação daquele que viria transformar:
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados… para proclamar liberdade aos cativos… a ordenar… que se lhes dê glória em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado.” Isaías 61.1-3
Se a madeira não se quebranta e não se molda à máquina, não é transformada. Mas se ela toma o formato que a máquina quer dar, sai transformada. Assim é conosco: a transformação vem pelo Verbo — “no princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus” — pelo que está escrito na Palavra.
Capítulo 8Religiosidade ou entrega
Não se trata de vir à frente, declarar que aceita Jesus e depois não se submeter a ele — isso é religiosidade. Se você já está acostumado com a igreja, mas não muda a conduta, continua fazendo tudo o que fazia antes; então o que entregou a Jesus? Mas se romper com o ciclo de religiosidade e der valor ao nascimento e à morte de Jesus, a sua vida pode ser outra. A pergunta não é se você quer ser feliz, e sim se quer entregar a sua vida a Jesus — porque a consequência é experimentar o que é bom, perfeito e agradável.
“Rogo-vos… que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”Romanos 12.1
A pessoa que tinha de morrer para eu ter vida já morreu — era Cristo. O segundo que precisa morrer sou eu. Se não opto por ser o sacrifício vivo, continuo no trilho do mundo: se o país piora, me estresso; se o casamento piora, me estresso; se vem a doença, me estresso — e nunca fico em paz, porque sempre haverá algo dando errado. Mas sempre há algo que já deu certo. Existe a lei da inércia: um corpo parado tende a continuar parado, e os caminhos neurais também. O que transforma tudo na vida do cristão é decidir, de maneira consciente e racional, renovar a mente.
Capítulo 9O convite
“As coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17). Não viva como se Jesus não tivesse vivido e morrido para que você tivesse vida nova. Não ande dando de ombros quando reconhece, pelo Espírito Santo, que precisa mudar o trilho.
Existem coisas que você quer começar a fazer, que sabe que agradam a Jesus? Coloque esse caminho diante do Senhor. Existem caminhos que entristecem o Senhor? Renda-os a ele: “Senhor, não quero mais trilhar isso; ajuda-me a lembrar disso. Levo o meu pensamento cativo à obediência de Cristo.”
“Se você quer entregar o seu coração a Jesus, saia do seu lugar e vamos ficar juntos nisto — é um povo que anda junto, com um propósito: glorificar o Senhor.”
Sabe o que o aniversariante, Jesus, gostaria de receber? Ele é dono de tudo, mas há uma coisa que ele não toma — ele pede: “Filho meu, dá-me o teu coração.”
Estudo elaborado a partir da pregação do Pr. Roberto Guimarães, pastor da Comunidade Cristã do Campeche (Florianópolis – SC), no culto de domingo, 21 de dezembro de 2025. Texto base: Efésios 2.1-9; Isaías 9.6; João 10.10; com Habacuque 3.17-18, Romanos 12.1-2 e Isaías 61.1-3. Citações bíblicas conforme a Bíblia King James Fiel 1611.